Fungo é essencial para sobrevivência de abelha sem ferrão

O pesquisador brasileiro Cristiano Menezes descobriu a primeira abelha que cultiva um fungo para sobreviver. O inseto é conhecido como mandaguari (Scaptotrigona depilis) e não possui ferrão.

“Embora já se saiba que existe simbiose entre espécies de formigas e de cupins com fungos cultivados em seus próprios ninhos – esses micro-organismos fornecem nutrientes e proteção contra patógenos –, em abelhas essa relação ainda é desconhecida”, afirma Cristiano em entrevista à Agência Fapesp.

mandaguari

O fungo do gênero Monascus fica no cerume, material feito de cera e resina e que serve para as abelhas construírem a colmeia. Depois que as abelhas colocam comida regurgitada dentro de espaços em que as larvas vão crescer, o fungo começa a se desenvolver também.

Assim que o ovo eclode, a larva começa a comer o fungo e esse alimento é crucial para a sua sobrevivência. No estudo, a taxa de sobrevivência caiu bruscamente quando os animais não se alimentavam com o fungo: de 72% para apenas 8%.

Além disso, Cristiano observou que o fungo é transmitido de geração para geração e é levado para uma nova colmeia. A equipe de pesquisa também viu o fungo sendo como alimento em outras espécies de abelha sem ferrão.

A descoberta é bem preocupante para o uso de agrotóxicos e fungicidas, uma vez que o uso destas substâncias em plantações pode afetar a vida de milhares de colmeias.

Fontes: New Scientist e Agência Fapesp

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