Ensaio sobre a cegueira: o radar humano

Quem acha que a ecolocação (também conhecido como “radar”) é privilégio apenas dos morcegos, melhor pensar duas vezes. Um neurobiólogo alemão constatou que o corpo humano também realiza essa função.

O menino Daniel Kish está no epicentro dessa descoberta. Cego de nascença devido a um câncer de retina, Kish ensinou a si próprio como mapear o ambiente ao seu redor usando um sistema de ruídos e ecos. Ao produzir “cliques” com a boca e receber o eco com os ouvidos, o menino aprendeu a subir em árvores e andar de bicicleta.

Um estudo foi conduzido com pessoas sem problemas de visão e o resultado foi que pessoas como Daniel Kish não possuem apenas ouvidos supersensíveis. Em vez disso, todo o corpo – cabeça, tronco e membros – reassinala funções sinestésicas para criar esse radar. No estudo, as pessoas aprenderam a técnica, foram vendadas e colocadas para locomoverem-se num corredor. Após algumas semanas, os voluntários já conseguiam orientar-se. O mesmo não aconteceu com um corredor virtual, o que reforça a necessidade das terminações nervosas de todo o corpo para o desenvolvimento da ecolocação humana.

A ecolocação, que é o nome científico dessa técnica sensacional, evoluiu de forma autônoma no reino animal, dadas as inúmeras formas de baixa visibilidade que o planeta pode oferecer. A descoberta neurobiológica pode inclusive ajudar pessoas cegas a desenvolverem essa técnica, que nós daqui já reconhecemos pelo personagem Demolidor, da Marvel Comics.

Fonte: Science Magazine

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