Mosquitos mutantes para combater a dengue


Quem já pegou dengue sabe como a doença é terrível: febre e dores no corpo ao longo de alguns dias – isso quando não é a versão hemorrágica, capaz de levar o paciente à morte.

Apesar de ser um problema conhecido, abordado em diversas campanhas de conscientização e prevenção (visando eliminar possíveis focos), o vírus da dengue ainda não possui qualquer tipo de vacina, e é uma das principais causas de morte em países tropicais – principalmente onde a urbanização dos espaços públicos parece ainda um sonho distante.

Para piorar, seu principal transmissor, o mosquito Aedes aegypti é um adversário particularmente difícil de combater: picam durante o dia e possuem grande resistência a inseticidas.

Com a proximidade da Copa do Mundo e a presença da doença em três das cidades sedes, as autoridades estão partindo para uma abordagem um pouco mais radical. Enquanto as pesquisas de vacinas parecem distantes de resultados reais, a nova tentativa da ciência pretende utilizar biotecnologia para eliminar o transmissor da doença.

Como? Soltando mosquitos mutantes (geneticamente modificados) na natureza!

O projeto – um pouco menos inusitado do que a tentativa de Bill Gates de eliminar mosquitos da malária com raios lasers – está em teste no Brasil no município de Jacobina, na Bahia, através de uma organização social chamada Moscamed, com coordenação da USP e parceria com a empresa inglesa Oxitec.

O mosquito “transgênico” possui um gene de água-viva que o deixa fluorescente, facilitando sua identificação, mas a alteração principal é um gene gene letal de ação retardada.

Da nova “safra” de mosquitos de laboratório, as fêmeas (que mordem) são destruídas, e os machos (que não mordem) são soltos na natureza para acasalarem e produzirem descendentes destinados a morrerem antes de atingir a idade adulta.

Muitas críticas vem sendo feitas ao projeto-piloto, principalmente no aspecto das desconhecidas possibilidades da intervenção humana “radical” no meio-ambiente. Além dos riscos e consequências da experiência ainda estarem sendo estudados (ainda é cedo para concluir se a solução será viável), é sabido que os mosquitos provavelmente vão se adaptar a longo prazo para sobreviver à modificação genética assassina – e ainda existem outros vetores capazes de transmitir o vírus da dengue.

Apesar da polêmica, a iniciativa tem chamado a atenção da comunidade científica e alimentado a esperança de redução das endemias até que uma vacina possa ser desenvolvida.

Principalmente pelo fato da população de Aedes aegypti em Jacobina ter sido reduzida em 90%!

Tá com pena? Leva pra casa:

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Fontes: Meio Bit | PRI

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