Radiação cósmica pode detonar neurônios de astronautas

A NASA planeja fazer sua primeira missão tripulada à Marte até 2030, mas os raios cósmicos (produzidos por supernovas ou pela explosão de galáxias) são uma preocupação constante para os cientistas porque seus efeitos ainda são desconhecidos e a atmosfera do planeta é rarefeita o bastante para deixá-los passar. Mas um novo estudo feito com camundongos sugere que essas partículas podem alterar a forma de neurônios, prejudicando a memória dos astronautas.

O problema é que não dá para fazer testes com astronautas de verdade porque existem muitas variáveis no espaço. Segundo o biólogo Patric Stanton, do New York Medical College, o estresse de viver em uma nave provoca alterações cognitivas nos viajantes espaciais e isso já impede qualquer tipo de análise.

Arte de raios cósmicos. Fonte: Asimmetrie/Infn
Essa é só uma representação artística dos raios cósmicos, porque a gente não consegue vê-los

O jeito, então, foi avaliar o que acontecia com camundongos. Alguns roedores machos foram levados a um acelerador de partículas da NASA, em Nova York, onde ficaram durante seis semanas expostos a uma mistura de oxigênio e íons de titânio. Depois disso, eles passaram por diversos testes cognitivos e os camundongos que tinham recebido radiação passavam mais tempo investigando objetos que eles já tinham visto antes, indicando que a sua memória estava comprometida.

Além disso, os cientistas estudaram o cérebro desses camundongos e viram que os neurônios do córtex pré-frontal, região responsável pela resolução de problemas e memória de curto prazo, tinham em média 35% menos conexões e, por isso, recebiam menos estímulos elétricos das células próximas.

Para o responsável pela pesquisa, Charles Limoli, os resultados são insuficientes para parar as viagens à Marte, mas trazem dados que a NASA deverá considerar para suas próximas viagens.

Fonte: Science Magazine

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