A internet está mudando o nosso cérebro?


Diversas vezes nós demonstramos aqui no blog do Manual do Mundo como os recursos tecnológicos atuais, especialmente a internet, têm transformado a forma como o ser humano se relaciona com a informação, e por conseguinte, com o conhecimento.

Aprender, dentro ou fora da escola, tornou-se uma experiência mais interessante com enciclopédias interativas, vídeos, ilustrações, animações, infográficos, jogos e tantas novas maneiras disponíveis de exibir e interagir com as ciências.

Só que com tanta informação disponível, será que o cérebro humano consegue “dar conta do recado”?

Enquanto ainda não é possível realizar um “upgrade” em nosso cérebro (convenhamos, “expandir a memória” seria muito bem vindo…), seguimos sobrecarregando nossas próprias capacidades naturais de processamento com uma “enxurrada” de dados cada vez maior.

E  o resultado se reflete em nosso próprio comportamento diante de tantos estímulos: pressa, ansiedade, impaciência, quase constantes.

Durante nossas “navegadas” na internet, no meio de tantas notícias, debates e outros conteúdos fervilhando nas redes sociais, quase não nos permitimos mais assistir a um vídeo inteiro do início ao fim – quanto mais ler um texto longo. Cada vez mais vamos diretamente até a parte desejada, ou ignoramos solenemente aquilo que consideramos menos importante. Quanto mais resistimos a assistir a uma publicidade sem clicar no botão de “pular” por mais do que os 5 segundos obrigatórios do YouTube.

Parece que queremos absorver o máximo de informação e realizar o maior número de atividades no menor intervalo de tempo possível, tornando cada segundo de hesitação e espera uma tortura interminável. Hoje em dia, quando um vídeo demora para carregar, sequer somos capazes de lembrar que há “pouco” tempo atrás esperávamos muito mais tempo para fazer o download a velocidades muito mais modestas.

Mas será que perdemos a capacidade de controlar a ansiedade e dedicar nossa atenção às coisas?

O vídeo abaixo, produzido pelo College Humor, brinca com esta reflexão. Apenas um cara, sentado em frente a um relógio, falando sobre o assunto durante “intermináveis” 3 minutos. Será que você é capaz de assistir a tudo sem desviar sua atenção para outra aba, outra tela ou outra atividade?

E aí? Conseguiu?

Retomar o controle de nosso foco perante um simples vídeo pode ser apenas um pequeno passo, mas o recado foi dado. Assim como não é um “curso de leitura dinâmica” que vai te deixar mais inteligente, não é disparando sua atenção para todos os lados que você vai conseguir tornar-se mais culto ou bem-informado.

Muitos outros comportamentos modernos permitem questionamentos similares. A forma como as pessoas compartilham freneticamente informações pessoais nas redes sociais, por exemplo. Além da ansiedade que já mencionamos, outras angústias humanas, como a carência e a solidão, parecem somar-se para produzir essa constante necessidade de “transmitir” publicamente uma versão romantizada de nossas realidades.

Como resultado, temos a impressão de que, pelo menos na internet, todos estão levando uma vida feliz, plena e realizada, o tempo todo – o que matematicamente já não seria possível.

O vídeo abaixo ilustra com maestria essa estranha distorção:

Clique aqui para descobrir como usar mais do que 10% do seu cérebro!

Deixe seu comentário